Passa por tua cabeça teu entorno?
Passa por tua cabeça teu futuro?
Passa por tua cabeça o perigo desse mundo?
Passa em tua cabeça que te amo?

Passa por tua cabeça teu entorno?
Passa por tua cabeça teu futuro?
Passa por tua cabeça o perigo desse mundo?
Passa em tua cabeça que te amo?

Tómame de la mano, vámonos por calles sin nombre, la sonrisa en la cara, los sueños explotando desde el pecho abierto.
Tómame de la mano, pedazo de mí. Hazme un pedido con tu boca de ángel, un pedido de los cielos que en tus dedos soy nada, en tus dedos está todo que me explica.
Tómame de la mano, llévame adonde quieras. Eres el norte de amapolas que he buscado, eres el norte de amapolas que siempre estuvo en mí.
Tómame de la mano: te seguiré por sendas desconocidas. Te reconoceré a cada paso.

Quanto de meu sonho, pendurado nesta rede que é a vida, pende para ti, depente de ti?
Balança a vida e te balanço, meu filho, no compasso do arvoredo que nos observa displicente.
Flutuamos, os dois, em uma atmosfera onírica. Flutuamos: a vida diante de nós é belamente incerta.

Eu atravesso a chuva fina das ruas do centro. Escondo-me da chuva em marquises, mas não escondo meu sorriso ensolarado nesta manhã que teima em ser cinza.
Caminho altivo com uma missão: dar-te um nome, fazer-te existir para os outros. Como conceber que sem esse papel que agora incrédulo seguro não te creem?
Em minhas mãos um papel que não dá conta da imensidão que és em mim.

Me reconheço no espelho que é a tua face.
A cada desenho sinuoso de teu lábio, no imperceptível movimento das horas sobre seu cabelo. Eu me sei em ti e reconheço meu futuro, enfim, em um sorriso de dois centímetros.
Estupefacto, meu tempo escorre para o teu: diminuo a cada instante enquanto cresces no mundo, enquanto cresces em mim.

Uma mudança desde já sentida: o sono. Não mais as noites desabam sobre mim e eu sobre a cama. A leveza de ser pai acompanha um sono leve, beirando a vigília. Meu sono paira no ar, no limiar do meu olhar a seu minúsculo corpo . Meu sono respira ao compasso de seu pulmão, intermitente e suave como aquilo que acho ser seu sorriso – ele ri de mim, do sono que me rouba?
Sei que assim será de agora em diante: meu sono, eternamente nas mãos de um anjo.

- Pode entrar…
Eu tentava colocar a máscara que havia caído. Aos tropeções entro na sala.
- É o pai? Pode tirar fotos, viu? Já vai nascer.
Assim, sem nenhuma preparação psicológica? Obviamente fiquei paralisado por alguns instantes. Só alguns: o menino saindo de Ana, assim, do nada.
- A hora, papai…
Do que ela estava falando?
- Já tirou a foto da hora?
Apontou-me o relógio de parede que observava meu abestalhamento. Acho que foi a segunda foto que tirei. Oito e trinta e cinco. Ele passa por mim, vindo de outra dimensão, da dimensão dos sonhos. Ana estava consciente, já eu… há controvérsias. Depois de algumas sucções e um chorinho suave como uma canção celestial, a médica pede:
- Corte o cordão umbilical.
Este é o primeiro. Quantos ainda cortarei? Esse é o primeiro: Aleph, o sopro do princípio. O princípio do resto de minha vida. Minha vida: princípio para fazê-lo nascer.
